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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Provocações



"A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.
A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.
Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.
Foram lhe provocando por toda a vida.
Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.
Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.
Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava.
Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.
Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- Violência, não!"


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Poesie och Kaaos


O medo que nos consome, é o medo que nos faz agir, ou seria o ódio? Ou o amor?  O que seria o amor? Seria o que estamos vivendo ? E se não for, o que vivemos afinal? O modo como nos tocamos, o modo qual nos olhamos, o modo em que pensamos, sentimos, baseado em carinhos, desejo, personalidade, companheirismo ...  Engraçado é, como conseguimos lidar e sentir algo tão bom se ate então tudo que habitara em nós seria ódio , revolta , éramos frios , éramos vazios , tínhamos apenas um objetivo, não fazíamos questão de saber se vida além da que vivíamos nos traria algo que nos fizesse sentir como que seria possível, mais uma vez depois de decepções, traumas e medos viver uma coisa tão intensa e tão maravilhosa, estamos sentindo . O ruim é a parte de que não gostamos de aceitar que estamos agindo contraditoriamente com nós mesmos, já que ate então, a única coisa que habitava em nossos corações era o oposto do amor, ódio .
Engraçado como conseguimos consignar duas coisas tão opostas, e tão influentes em nossas personalidades,uma coisa tão boa que nem gosto de me referir a tal como "amor" pelo simples fato de que amor virou uma palavra tão comum quanto açúcar. Seriamos nós os primeiros a recuperar o verdadeiro sentido e o verdadeiro significado? logo nós, tão cheios de ódio ? Mais uma vez, engraçado. Até ver graças num mundo tão desgraçado estou conseguindo, seria possível ? Seriamos nós? Ou seria você e seu efeito estrondoso sobre mim? Quem somos nós afinal? Dois sentimentos tão opostos seriam possíveis que habitasse num só ser? Nos fazem bem, é quem somos ,e nunca imaginamos. 
De qualquer forma pra mim não importa, já que apesar de ser tudo tão complexo, eu estou feliz,  e continuo sendo quem sou.

domingo, 25 de maio de 2014

POR QUE TENHO ORGULHO DE SER UMA VADIA “PROMÍSCUA”

Li esse texto, e achei interessante divulgar .

Por: Paris Lees

Eu não me lembro da primeira vez que me chamaram de vadia – provavelmente, foi época em que comecei a abrir as pernas em becos e a me comportar com uma. Mas nunca tive problema com isso, com ser uma vadia e me assumir como tal. O problema são as outras pessoas pensarem que ser vadia é uma coisa ruim. Porque não é; ser vadia é glorioso.
Esse debate sobre promiscuidade é mais sobre julgar e fazer as pessoas sentirem vergonha – achar que você sabe o que é melhor para os outros. Bom, as vadias não precisam de sua aprovação ou de seus conselhos sobre como devemos viver nossas vidas. Somos perfeitamente capazes de tomar nossas próprias e péssimas decisões. E eu consigo lidar muito bem com isso, com sua desaprovação. É um tesão. Não sei por quê, assim como não sei por que os namorados dos outros são mais gostosos – eles apenas são. E existem cada vez mais pessoas como eu hoje em dia – você acha a gente no Tinder, no Grindr e em todos esses sites de encontros em que todo mundo, TODO MUNDO (até sua mãe), está. Somos todos vadias agora.
Prefiro o termo “divertida” ao termo “promíscua”, porque curto muito linguagem. Só posso falar pela minha (sinceramente vasta) experiência sexual, mas se entro num carro com um homem estranho, por exemplo, e faço biquinho e ele fica olhando para as minhas pernas, peitos e tal, não estamos atrás de “um pouco de promiscuidade” – estamos atrás de “um pouco de diversão”. É só ver como o Dicionário Oxford define promiscuidade: “O fato ou estado de ser promíscuo; imoralidade”.
A palavra é definida como “ter muitos relacionamentos sexuais transitórios”. Claro, o verbete não explica quantos são esse “muitos”, porque – como boa parte do debate – a quantidade exata de pessoas com quem você precisa transar para se qualificar como promíscuo é um julgamento arbitrário imposto por outras pessoas.
Além disso, onde o tempo se encaixa nessa história? Se, digamos, uma senhora de 80 anos teve dez parceiros sexuais durante a vida, ela é promíscua? Será que a consideraríamos uma pessoa promíscua? Provavelmente não. Mas e se ela tivesse transado com todos esses dez caras na mesma semana – lá no verão de 1969 – e nunca mais fez sexo pelo resto da vida? Será que isso “releva tudo”? E se sim, por quê? O que essa lacuna faz? Por que esse espaçamento entre as nossas fodas leva à respeitabilidade?
Não faz sentido porque isso é só uma ideia, e uma ideia escrota. A promiscuidade não existe. É só uma palavra que as pessoas inventaram para descrever e julgar certos tipos de comportamento humano. É tão real quanto portismo? Nunca ouviu falar em portismo? É porque inventei a palavra agora. Ela descreve a tendência a abrir portas. Abri a porta do banheiro para mijar hoje de manhã, e abri muitas outras quando fui do quarto até a mesa da cozinha. E quando terminar de escrever este artigo, terei aberto muitas mais, porque sou uma portista suja e tenho certeza que vocês também são.
Não aplicamos nenhum significado particular na quantidade de vezes que alguém abre uma porta num determinado dia, mas todo mundo tem uma opinião sobre quantas vezes alguém abre as pernas. E eu não entendo o motivo disso. Se você não é o sortudo para quem estou abrindo minha porta, minhas pernas e meu coração, o que é que você tem a ver com isso? E toda essa vergonha é quase sempre dirigida às mulheres. Esse é um ponto batido, eu sei, mas essa é uma boa hora para destacar isso de novo: quando um cara sai metendo por aí, ele é um garanhão, mas quando uma mulher faz a mesma coisa, ela é uma vadia e uma puta.
Lembra quando você era criança e estava aprendendo a ler? Eu lembro. Eu adoro ler. Ler era o que eu fazia antes de descobrir o sexo. Mas assim como no sexo, ler é algo que você precisa “praticar” até “ficar bom”. Ficar bom significa poder ler um livro como um adulto e isso não parecer mais uma tarefa. Isso vem naturalmente. Eu ficava sempre satisfeita, quando era criança, quando minha leitura melhorava, mas lembro – quando eu tinha 13, 14 anos – de ter notado que algumas pessoas da minha escola simplesmente desistiam. Elas nunca chegaram no nível em que você lê pelo prazer de ler e isso me deixava triste. Ainda fico triste quando conheço gente que diz que não lê um livro desde o colégio. Eu sinto que elas estão perdendo alguma coisa que é uma parte profunda e prazerosa da vida. E me sinto do mesmo jeito sobre o sexo.
Fui convidada para palestrar na Oxford Union ontem à noite, para debater a noção de que promiscuidade é uma virtude, não um vício. Eu era “a favor” da noção, claro. Eu ia pensar em várias razões inteligentes para apoiar minha posição, mas a verdade é que não há nenhuma. A promiscuidade não é boa nem ruim... É só uma coisa. Algumas pessoas não são promíscuas e estão bem. Algumas pessoas são promíscuas e estão bem. Algumas pessoas são promíscuas e levam uma vida de merda. Algumas pessoas não são promíscuas e têm uma vida de merda. Porque isso não faz diferença.
Alguns anos atrás, fui a um clube noturno. Era uma noite pervertida com um público sacana. Perguntei para um cara se ele queria sair de lá comigo. E ele disse sim. Perguntei se ele se importava de termos mais companhia. Ele disse que não. Convidei um amigo dele para se juntar a nós. E outro. E outro. Pegamos um táxi. Convidei o taxista também, mas ele ficou assustado (mas pegou meu telefone e fizemos várias safadezas num outro encontro). Se dois é bom, e três é demais, cinco certamente é uma orgia.
Fiquei muito excitada, de pé na recepção do hotel com quatro caras gostosos, sabendo que o colega atrás do balcão sabia o que íamos fazer naquela suíte. Era óbvio que eles estavam ali para me comer. Eu me pergunto se ele ficou fantasiando sobre isso. Fantasiei sobre ele fantasiando sobre isso. Fui uma bela diversão sacana. Um deles estava dentro de mim. Um deles estava me acariciando. Um deles me deu uma coisa para calar a boca. Um deles me deu uma coisa para manter minhas mãos ocupadas. Deu certo porque eu era o centro da atenção sexual. Eu queria aquilo. Eu estava no controle. Foi uma vergonha, mas eu não estava envergonhada. Eu era uma devassa, quase uma caricatura de uma fantasia pornô, uma vagabunda de faz de conta. Gozei com as mãos deles em mim, com eles me olhando e os pintos deles me estimulando. Eu estava bêbada. Eu estava chapada. Foi fantástico – fantasia de carne e osso. Como se minhas genitais estivessem comendo um pote de mel.
E é por isso que defendo apaixonadamente o direito das pessoas em serem promíscuas. Se é isso que te faz feliz, ergue esse pau, meleque essa vagina e vá em frente. Você não preferia estar agora numa praia em algum lugar massa, com gente bonita, gozando? Gozar é sensacional. Por que não se esforçar para fazer isso a maior quantidade de vezes possível e com o máximo de pessoas possível? Quanto tempo da nossa vida desperdiçamos tirando o lixo, escovando os dentes, esperando o micro-ondas apitar, pensando em quando vamos poder tirar o sapato porque nosso pé está doendo?
A vida não é divertida e glamorosa. É chata, entediante, selvagem e cruel: você precisa ir pro trabalho, alimentar as crianças e mandar cartões de aniversário – toda essa merda clichê. Mas esses momentos são pura liberação – esse abandono hedonista – são as partes que fazem a vida valer a pena. Claro, você pode ter momentos especiais com a pessoa que você ama, mas não se sinta superior a quem esfrega os genitais em todo mundo. Assim como você, nós só queremos nos sentir vivos.
A vida é como um pinto. Você precisa agarrá-la com as duas mãos.


domingo, 18 de maio de 2014

Flávia Guinho, Gibi Girl Rj encerrando as entrevistas ♥

Um pouco de reflexão antes da nossa ultima entrevista ...
O objetivo dessas entrevistas,  era mostrar um pouco da vida social das pessoas tatuadas e modificadas do Brasil, expor os trabalhos dos bons profissionais que sim, eles existem também no Brasil, mostrar como cada um faz por motivos diferentes, enfrenta coisas diferentes no dia a dia, mas principalmente, mostrar que contra cultura, também é arte,  recebi algumas perguntas e pedidos de entrevistas com pessoas gringas e modelos como a Monami Frost, que hoje esta em bastante evidencia, agora estou respondendo a todos coletivamente, por que não?
- Porque existem bons profissionais no Brasil, existem pessoas novas e pessoas mais velhas, que amam tatuagem e modificação corporal e que não é só rebeldia e nem buscam fama, apenas amam um tipo de arte incomum na sociedade, e todo mundo baba ovo de trabalhos realizados fora do Brasil, e modelos de fora do Brasil, como se só esses existissem, e não refletem, que é por conta da nacionalidade não por motivos profissionais, se a Monami (mais pedida) fosse brasileira, iam querer tanto ? tenho certeza que não. Entrevistei poucas pessoas, existem muitas mais , e com bem mais modificações, mas eu dei preferencia a quem faz por amor, e não pela fama, escolhi pessoas que enfrentam coisas (preconceitos) e que em nenhum momento são arrogantes e nem se acham superiores, escolhi a Flávia para encerrar, porque a nível de Brasil, ela tem as tatuagens mais diferentes, pela simpatia, que a maioria dos gringos não tem. Escolhi pessoas diferentes,com modificações diferentes,pra nós que amamos arte corporal, vermos que sim,é possivel viver,trabalhar,ter família e amigos e como disse o Vinni frost, felizmente a tinta não afeta o cérebro e com ou sem modificações, somos seres humanos. O Blog existe para expor todos os tipos de arte contracultural, marginalizada, e para abrir a mente de quem o lê,e mostrar que todo esse preconceito é imposto em nossas mentes, e que o que vale na vida não é sua bíblia, terno e gravata, sua tatuagem ou sua modificações extremas, o que vale na vida é caráter, respeito e sinceridade.


Flávia Guinho, Gibi girl RJ encerrando com chave de ouro :

Blog: Qual foi a sua primeira modificação corporal?
Flávia :Quando eu tinha apenas 14 anos, fiz meu primeiro piercing no septo de 2 m.m. Blog: Quantas modificações você tem no total atualmente? E quantas pretende fazer? Flávia: Hoje eu tenho apenas algumas tatuagens, e pretendo fazer eyeball (talvez bifurcar a lingua) e voltar com os meus alargadores. 

Blog: Você tem alguma inspiração? Flávia: Dita Von Teese... Amy Winehouse... Kat Von D...Helena Bonham Carter Blog: Como você conheceu a modificação corporal? Flávia: Através de revistas e um estúdio de tattoo que tinha na minha cidade. Blog: Qual carreira pretende seguir? Flávia: Empresária (nas horas vagas fotógrafa) 


Blog: Como e sua vida social? Reação de amigo e familiares?Flávia: Minha vida é otima, sempre fui “estranha” desde pivete, então nenhum dos amigos ou familiares me estranham quando eu chego com uma tattoo nova! Rs Blog: Como lida com preconceito? Flávia: Não lido. Blog: Qual profissional realizou suas modificações ? Flávia: Thiago Lima, Leonardo Marques, Guilherme Calixto e Marcos Magalhães!

Blog: Qual profissional gostaria que realizasse um procedimento em você?
Flávia : Rafael Leão Dias, Kat Von Dê, Luna Cobra, Tommy Montoya, SailorJerry(rs) e Joe Capobianco. 

Blog: Qual profissional você não indicaria? Flávia: Prefiro não comentar.. .



 Sou uma pessoa com uma personalidade forte e foda de se lhe dar, sou desse jeito e ponto! Gosto de fotografar e de fazer comida pros meus amigos e familiares! Adoro dias nublados e escuros. Sou 8 ou 80. Vivo intensamente cada dia, procuro ser o melhor de mim mesma todos os dias, ajudo quem precisar e não nego ajuda NUNCA! Tenho também um coração de mãe e esqueço fácil das cicatrizes. E, acho que é só.